Rompimento e falso rompimento: como diferenciar, com casos reais
Rompimento é quando o preço fecha além de uma resistência ou de um suporte. Falso rompimento é quando ele passa do nível e volta para dentro logo depois. Em 2025, nas sete ações mais líquidas da B3, 62% dos rompimentos da máxima ou da mínima de 20 pregões voltaram em até 5 pregões. Com fechamento 1% além do nível, 34%.
Em 30 segundos
- 01Rompimento vale no fechamento, não no toque. Em 2025, o preço passou do nível durante o dia e fechou dentro 93 vezes nessas ações.
- 02A maioria falha. Dos 91 rompimentos que contamos, 56 voltaram para dentro do nível em até 5 pregões. Desses, 36 voltaram já no pregão seguinte.
- 03O filtro que mais separou: a folga do fechamento. Com 1% ou mais além do nível, 34% falharam. Com menos de 1%, 74%.
- 04Volume ajudou menos do que se ensina: com o dobro da média, 50% falharam, contra 66% sem.
- 05No mini índice: o stop fica do outro lado do nível rompido. Com 250 pontos, custa R$ 50 por contrato.
Sumário · 8 seções
O que é rompimento?
Rompimento é o momento em que o preço sai de uma região onde vinha parando. Na alta, ele fecha acima de uma resistência, um teto onde a compra perdeu força antes. Na queda, fecha abaixo de um suporte, um piso onde a venda parou.
Enquanto o preço respeita o nível, tem gente vendendo ali (na resistência) ou comprando ali (no suporte). Quando ele fecha do outro lado, esse lado da briga cedeu, e o movimento ganha combustível.
Para marcar o nível sem achismo, este artigo usa uma regra fixa: a maior máxima ou a menor mínima dos últimos 20 pregões, cerca de um mês de gráfico diário. Há outras formas de marcar o nível, e o artigo de suporte e resistência mostra como. Para contar, a regra fixa é melhor: ninguém "ajusta" o nível depois.
O que é falso rompimento?
Falso rompimento é o rompimento que não se sustenta: o preço fecha além do nível e, em poucos pregões, fecha de volta do lado de dentro. Em inglês, bull trap na alta e bear trap na queda: quem entrou fica preso do lado errado de um nível que não segurou.
Falso rompimento não é o mesmo que reteste. No reteste, o preço volta até o nível rompido, encosta e segue na direção do rompimento, sem fechar do lado de dentro. Esse movimento é o pullback, que tem artigo próprio. Aqui o assunto é o rompimento que fecha de volta e anula a leitura.
| Situação | O que aconteceu | Leitura |
|---|---|---|
| Rompimento só no intradiário | A máxima passou do nível, o fechamento ficou dentro | Não houve rompimento |
| Rompimento confirmado | Fechou além do nível e ficou lá nos pregões seguintes | O lado que defendia o nível cedeu |
| Reteste (pullback) | Voltou até o nível, sem fechar do lado de dentro | O rompimento segue valendo |
| Falso rompimento | Fechou além do nível e, depois, fechou de volta dentro | A leitura caiu. Quem entrou sai |
Quantas vezes o rompimento é falso?
Na maioria das vezes. Em 2025, nas sete ações mais líquidas da B3, 56 dos 91 rompimentos da máxima ou da mínima de 20 pregões voltaram para dentro do nível em até 5 pregões. São 62%. E 36 desses voltaram já no dia seguinte.
As regras da contagem:
- Nível: a maior máxima (resistência) ou a menor mínima (suporte) dos 20 pregões anteriores.
- Rompimento: o fechamento do dia passa do nível. Só conta o primeiro: se houve outro no mesmo sentido nos 5 pregões anteriores, é continuação e fica de fora.
- Falso: em até 5 pregões depois, pelo menos um fechamento volta para dentro do nível.
- Folga: a distância entre o fechamento do rompimento e o nível, em porcentagem.
- Volume: a quantidade de ações negociadas no dia, contra a média dos 20 pregões anteriores.
| Situação no dia do rompimento | Rompimentos | Falsos em 5 pregões |
|---|---|---|
| Todos | 91 | 56 (62%) |
| De alta (resistência) | 48 | 28 (58%) |
| De baixa (suporte) | 43 | 28 (65%) |
| Fechamento 1% ou mais além do nível | 29 | 10 (34%) |
| Fechamento menos de 1% além do nível | 62 | 46 (74%) |
| Volume de 2 vezes a média ou mais | 24 | 12 (50%) |
| Volume abaixo de 2 vezes a média | 67 | 44 (66%) |
| Fechamento no terço extremo do candle | 67 | 39 (58%) |
| Fechamento fora do terço extremo | 24 | 17 (71%) |
| Folga de 1% e volume de 2 vezes a média | 16 | 5 (31%) |
O que a tabela mostra: comprar todo rompimento é comprar mais falha que acerto. Quando o rompimento falhou, o preço andou em média 1,6% contra em 5 pregões. Quando segurou, andou 1,9% a favor.
A folga foi o filtro mais forte, e não foi acaso de janela. Com níveis de 10 pregões, a falha foi de 33% com folga de 1% e de 67% sem. Com 50 pregões, 35% e 77%. Já o volume de 1,5 vez a média quase não mudou nada: 59% de falha, contra 63%.
Como saber se o rompimento é falso?
Com certeza, no dia, não dá. Mas quatro sinais separam os rompimentos com mais cara de falha: o fechamento, a folga, o volume e a agenda. Em ordem de peso nos dados de 2025:
- 1Fechou além do nível ou só tocou? O toque não conta. Espere o fechamento do candle do seu tempo gráfico.
- 2Fechou com folga? Encostado no nível, falhou 3 vezes em 4. Com 1% de folga no diário, 1 vez em 3.
- 3Veio com volume? Ajuda, mas não decide. Com o dobro da média, metade ainda falhou.
- 4Tem notícia na agenda? Balanço, Copom, payroll. O filtro técnico não enxerga a notícia de amanhã. O caso da WEGE3, mais abaixo, mostra o preço disso.
E a regra que vale para todos: o rompimento que fecha de volta dentro do nível acabou. Não espere voltar.
Na prática, no mercado real
Os dois casos usam o gráfico diário com dados da B3. A linha tracejada cinza horizontal marca a máxima de 20 pregões. A amarela vertical marca o dia do rompimento.
Caso 1: ABEV3, outubro de 2025, o rompimento que segurou
O cenário. A ABEV3 passou a segunda metade de outubro de 2025 presa entre R$ 11,98 e R$ 12,45. A máxima de 20/10 (R$ 12,45) virou o teto: nos sete pregões seguintes, nenhum fechamento passou dele.
O sinal. Em 30/10, dia do balanço do 3º trimestre, a ação abriu a R$ 12,50, foi a R$ 12,66, caiu a R$ 12,35 e fechou a R$ 12,59. Fechamento 1,1% acima do nível, com volume de 3,7 vezes a média dos 20 pregões anteriores. Passou nos dois filtros.
O desfecho. Nenhum fechamento voltou abaixo de R$ 12,45. Em 06/11, cinco pregões depois, a ABEV3 fechou a R$ 13,08, alta de 3,9%. Em 14/11, a R$ 13,69. Quem comprou no fechamento do rompimento, com stop abaixo da mínima do dia (R$ 12,35), arriscou R$ 0,24 por ação e viu o preço andar R$ 0,49 a favor em cinco pregões.
O que esse caso ensina: nível claro, fechamento com folga, volume forte e um motivo real para o preço sair da faixa.
Caso 2: VALE3, julho de 2025, o rompimento que falhou
O cenário. A VALE3 bateu R$ 57,12 em 10/07/2025 e caiu até R$ 53,91 em 15/07. Depois, subiu 6,7% em uma semana e voltou ao teto.
O sinal. Em 22/07, abriu a R$ 56,95, foi a R$ 57,97 e fechou a R$ 57,50. Era rompimento: fechamento acima da máxima de 20 pregões, com volume de 1,6 vez a média. Mas a folga foi de 0,67%, abaixo de 1%.
O desfecho. No dia seguinte veio um doji, o candle de indecisão que contamos no artigo de doji. Em 24/07, a ação fechou a R$ 56,53, de volta abaixo de R$ 57,12: falso rompimento, no segundo pregão. Em 30/07, estava a R$ 53,84, 6,4% abaixo do fechamento do rompimento. Quem comprou em 22/07 com stop abaixo da mínima do dia (R$ 56,91) saiu em 24/07 com perda de R$ 0,59 por ação, ou 1%. Quem ficou sem stop viu a perda passar de R$ 3,60 por ação.
O que esse caso ensina: o rompimento encostado no nível é o que mais falha. E o stop separa uma perda de 1% de uma de 6%.
E quando passa em todos os filtros e falha?
Acontece. Em 24/04/2025, a WEGE3 fechou a R$ 48,59, 2% acima da máxima de 20 pregões (R$ 47,64), com o dobro do volume médio. Subiu até R$ 50,47 em 29/04. Em 30/04, dia do balanço do 1º trimestre, abriu em queda e fechou a R$ 44,64, abaixo do nível. Dos 16 rompimentos de 2025 com folga de 1% e volume dobrado, 5 falharam. O filtro reduz a falha. Não zera.
Como operar rompimento no mini índice?
No mini índice, a leitura é a mesma no gráfico de 5 minutos: nível marcado antes, entrada só no fechamento do candle além dele, stop do outro lado. Os níveis da semana estão na leitura do WIN.
Não copie o 1% das ações: com o índice em 180 mil pontos, 1% são 1.800 pontos, grande demais para o candle de 5 minutos. Copie a ideia da folga. Fechar 10 ou 20 pontos acima do nível é o rompimento encostado, o grupo que mais falhou. Nossa contagem é do diário das ações; no 5 minutos do mini, a régua é sua, e o diário de trade é onde você a mede.
Exemplo, com números redondos. A máxima do dia anterior no WIN foi 181.200. Às 10h40, um candle de 5 minutos fecha a 181.380, com folga de 180 pontos.
| Item | Onde fica | Pontos | Por contrato (R$ 0,20 por ponto) |
|---|---|---|---|
| Entrada | Fechamento do candle, 181.380 | — | — |
| Stop | Abaixo do nível rompido, 181.130 | 250 | R$ 50 |
| Com 2 contratos | — | 250 | R$ 100 |
| Saída antecipada | Candle de 5 minutos fecha abaixo de 181.200 | 180 a 250 | R$ 36 a R$ 50 |
A conta do tamanho da mão é a do artigo de stop loss: contratos = risco aceito em reais ÷ (pontos de stop × R$ 0,20). Com R$ 100 de risco por operação e stop de 250 pontos, cabem 2 contratos.
A saída antecipada é a regra do falso rompimento: se o candle fecha de volta abaixo de 181.200, a leitura caiu, e você não espera o stop.
Erros comuns com rompimento
- 01Entrar no toque.Em 2025, 93 vezes o preço passou do nível e fechou dentro. Espere o fechamento.
- 02Comprar rompimento de centavos.Com menos de 1% de folga, 74% falharam. Espere mais folga ou reduza a mão.
- 03Tratar volume como garantia.Com o dobro da média, metade ainda falhou.
- 04Esperar o falso rompimento "voltar".Fechou de volta dentro do nível, saia e marque de novo.
- 05Ignorar a agenda.A WEGE3 passou em todos os filtros e caiu no balanço.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre rompimento e falso rompimento?
No rompimento, o preço fecha além do nível e fica lá. No falso, fecha de volta do lado de dentro em poucos pregões. Em 2025, 62% dos rompimentos de 20 pregões nas sete ações mais líquidas da B3 foram falsos.
Qual a diferença entre falso rompimento e pullback?
No pullback, o preço volta até o nível rompido e segue na direção do rompimento, sem fechar do lado de dentro. No falso rompimento, ele fecha de volta dentro do nível, e a leitura cai.
Rompimento com volume é mais confiável?
Um pouco. Em 2025, com o dobro do volume médio, 50% falharam, contra 66% sem. A folga separou mais: 34% contra 74%.
Dá para operar o falso rompimento ao contrário?
Dá: se o rompimento de alta fecha de volta abaixo do nível, a venda usa a máxima do falso rompimento como stop. Em 2025, os falsos andaram em média 1,6% contra a direção original em 5 pregões, a contar do fechamento do rompimento. É média, não garantia.
Quanto tempo esperar para confirmar o rompimento?
O fechamento do candle é o mínimo. Em 2025, 36 dos 56 falsos voltaram já no pregão seguinte, então esperar o segundo fechamento além do nível tira a maior parte das armadilhas, ao custo de uma entrada pior. Não tira todas: dos 55 que seguraram o segundo dia, 25 voltaram nos 5 pregões seguintes.
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Especialista em trading, a Stefany atua direto no mercado há mais de 10 anos. Liderou equipes de especialistas e formou muitos dos profissionais que hoje trabalham em grandes bancos e corretoras. Na Itera, é sócia e responde por toda a inteligência de trading: conduz a sala ao vivo em todo pregão, das 8h50 às 12h, e assina os conteúdos do /aprenda. Analista credenciada (CNPI-T), responde pelas análises pela Vora.
Ver a página da StefanyFontes: B3, série histórica de cotações (arquivo anual 2025, consultado em novembro de 2026). B3, especificação do contrato futuro de Mini Ibovespa (WIN): R$ 0,20 por ponto. Itaú Unibanco, fato relevante de 05/02/2025 (bonificação de 10%, data ex 18/03/2025). Datas dos balanços: Ambev, 3º trimestre de 2025, divulgado em 30/10/2025; WEG, 1º trimestre de 2025, divulgado em 30/04/2025. Contagem dos rompimentos e dos casos: Itera, sobre abertura, máxima, mínima, fechamento e quantidade negociada diários.
Os casos são históricos e servem para ensinar a leitura do gráfico. Resultado passado não garante resultado futuro.